Sou psicóloga clínica, psicanalista e professora universitária. Há mais de uma década, transito entre a clínica, o ensino e a pesquisa, sustentando uma escuta orientada pelo rigor teórico e pela responsabilidade ética diante do sofrimento humano.
Desde o início da minha formação, escolhi a Psicanálise não como um método, mas como uma posição. Uma forma de estar diante do outro que recusa atalhos, diagnósticos apressados e respostas prontas. Da graduação ao doutorado, permaneci vinculada a essa tradição que convoca o sujeito à palavra: inclusive quando essa palavra ainda não encontra forma, quando se apresenta como silêncio, dor ou estranhamento.
Minha passagem pela Universidade Federal do Rio de Janeiro foi decisiva nesse percurso. Ali, dedicando-me ao ensino da teoria psicanalítica, aprofundei a compreensão de que escutar não é apenas ouvir, mas sustentar um tempo. Um tempo que não se impõe, não se acelera e não se antecipa. Um tempo que respeita aquilo que, em cada sujeito, ainda não pode ser dito: nem ao outro, nem a si mesmo.
Na clínica, cada encontro é singular. Não há protocolos que substituam a atenção cuidadosa ao detalhe, à palavra que falha, ao afeto que emerge de forma inesperada. O trabalho se faz nesse espaço íntimo e ético, onde o que antes parecia insuportável pode, pouco a pouco, encontrar bordas, nome e elaboração.
Acredito numa prática clínica que não promete alívio imediato, mas oferece sustentação. Que não responde pelo sujeito, mas caminha com ele. Que reconhece que existir é, muitas vezes, atravessar zonas de perda, ruptura e transformação e que é justamente aí que a escuta se torna fundamental.